Trabalho de Psicologia

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Teoria Psicanalítica e sua aplicação nas Organizações – Cap. 6

Teoria da psicopatologia do trabalho

Foi desenvolvida por Dejours a Teoria da Psicodinâmica do Trabalho, cuja hipótese central é que a relação homem x trabalho é de sofrimento e doença, embora o trabalho possa ser fonte de prazer e saúde. Ele observou também as perturbações psíquicas ocasionadas pelo trabalho. Desenvolveu várias pesquisas, como a neurose das telefonistas e dos mecanógrafos, os problemas psicopatológicos surgidos nos mecânicos de estrada de ferro, entre outros.

Dejours desenvolveu a Psicodinâmica do Trabalho a partir da indagação de como os trabalhados, em sua maioria, conseguem, apesar dos constrangimentos, preservar o equilíbrio psíquico e manter-se na normalidade. Estudou a estratégia usada pelos trabalhadores, que permitia que a normalidade aparecesse como um equilíbrio precário (equilíbrio psíquico) entre constrangimentos do trabalho desestabilizante ou patogênico e defesas psíquicas. O equilíbrio seria o resultado de uma regulação que requer estratégias defensivas especiais elaboradas pelos trabalhadores.

Chegou à conclusão de que o equilíbrio, a estabilidade e a normalidade são, antes de tudo, uma luta do indivíduo contra a doença mental. A normalidade conservada à força é permeada pelo sofrimento. O sofrimento é, então, espaço de luta entre a sanidade e a loucura (borderline). Quando surge a loucura, o sujeito é acometido de delírio, depressão, fobia, inibição, excitação, que se originam da organização da personalidade, da história e do passado de cada indivíduo (predisposição), do que da situação, de trabalho, sendo esta apenas desencadeadora da doença.


Relação do Indivíduo com a Organização do Trabalho

Dejours analisou o sofrimento do indivíduo no trabalho em duas dimensões: diacrônica e sincrônica. A dimensão diacrônica é o sofrimento singular herdado da história psíquica de cada indivíduo, seu passado, sua memória e sua personalidade. A dimensão sincrônica é o sofrimento atual, surgido do reencontro do sujeito com a situação de trabalho (o contexto material, social e histórico das relações de trabalho).

Ao analisar a relação do indivíduo com a organização do trabalho, a preocupação da Psicodinâmica do Trabalho foi compreender a forma pela qual o equilíbrio mental do indivíduo é ameaçado e quais as conseqüências para sua saúde mental. Esses estudos mostravam que as pressões que põem em o equilíbrio psíquico e saúde mental derivam da organização do trabalho e dos constrangimentos perigosos para a saúde não apenas da mente, mas também do corpo (somática). Entendem-se como elementos das condições de trabalho:

• condições físicas: barulho, temperatura, vibração e irradiações ionizantes; • condições químicas: poeiras e vapores; • condições biológicas: vírus, bactérias e fungos.


Estratégias de Preservação da Saúde Mental

Em sua relação com a organização do trabalho, para preservar a saúde mental e aliviar o sofrimento, o homem lança mão do funcionamento psíquico, isto é, das estratégias defensivas.

Essas estratégias envolvem dois tipos de defesa:

• as defesas coletivas e as ideologias defensivas de profissão, que são construídas pelo coletivo, por meio das quais todos os trabalhadores marcados pelas pressões organizacionais desenvolvem comportamentos estereotipados e/ou alienados; • as defesas individuais, na quais, para defender-se da doença mental provocada pelas pressões organizacionais, o aparelho psíquico produz sintomas que são jogadas para o corpo, gerando as doenças psicossomáticas e o stress. Sintetizando, as defesas individuais, entre elas a repressão, atuam na própria fonte de pulsão e presidem o surgimento de doenças não só da mente, mas também do corpo, em resposta às pressões organizacionais.


A Psicopatologia do trabalho: conclusões básicas

As pressões organizacionais não geram apenas a doença mental, geram também as doenças psicossomáticas que são doenças físicas resultantes da pressão mental transferida para o corpo, provocando, entre outras doenças, a gastrite, a úlcera e o stress. Não é apenas o psiquismo que sofre danos resultantes da defesa que o indivíduo aciona diante das pressões organizacionais, é também o corpo físico. Dejours parte da hipótese de que a organização do trabalho exerce sobre o homem uma ação específica, cujo impacto é o aparelho psíquico. Em certas condições, emerge um sofrimento que pode ser atribuído ao choque entre uma história individual portadora de projetos, de esperança e de desejos, e uma organização do trabalho que os ignora. Esse sofrimento, de natureza mental, começa quando o homem, no trabalho, já não pode fazer nenhuma modificação em sua tarefa no sentido de torná-la mais adequada a suas necessidades fisiológicas e a seus desejos psicológicos. É nesse momento que ocorre o bloqueio da relação homem-trabalho.


Vida Psíquica e Saúde Física

A vida psíquica e a saúde física são patamares de integração do funcionamento dos diferentes órgãos do corpo humano. Sua desestruturação repercute sobre a saúde física e sobre a saúde mental. Mas a relação entre organização do trabalho e aparelho mental pode ser favorável, em vez de conflituosa, gerando resistência contra a fadiga e a doença. Uma boa adequação é possível. Quando isso acontece, pelo menos uma das condições seguintes é realizada:

• exigências intelectuais, motoras ou psicossensoriais da tarefa estão de acordo com as necessidades do trabalhador e, assim, o exercício da tarefa está na origem de uma descarga e de um prazer; • o conteúdo do trabalho é uma fonte de uma satisfação sublimatória, situação rara encontrada em profissionais que têm satisfação em executar sua tarefa espontaneamente. O indivíduo pode ser criativo e livre, porém, responsável, disciplinado e organizado: são trabalhos que o indivíduo escolhe deliberadamente ou conquista. O sofrimento existe, mas o prazer do trabalho permite melhor defesa: exemplos dessa satisfação sublimatória podem ser observados entre os artistas, pilotos de caça e pesquisadores, entre outros.


Sofrimento mental e suas conseqüências

Dejours afirma que o sofrimento mental não pode ser considerado apenas uma conseqüência deplorável; em certos casos, ele se revela propício à manutenção da produtividade. Não tanto o sofrimento em si, mas os mecanismos de defesa empregados contra ele. O sofrimento pode, em certas condições, torna-se instrumento de exploração e rendimento. A ansiedade das telefonistas, por exemplo, contribui para a aceleração das cadências. Mesmo nas tarefas mais desqualificadas, a exploração passa pela profundeza do aparelho mental.


Psicodinâmica do trabalho e teoria psicanalítica

A psicanálise entende que os traços mais estáveis da personalidade enraízam-se na infância e nas experiências precoces. Na teoria psicanalítica, a organização mental passa por etapas, cada uma delas marcada pelas relações da criança com os pais. Cristalizam-se aí formas que definem as linhas da personalidade. Esse processo envolve obstáculos e incidentes até que se estabilize, em suas forças e fragilidades, seu eu adulto.


A Epistemofilia

Os obstáculos no desenvolvimento psicoafetivo da criança darão lugar ao ponto crítico da relação psíquica do adulto com o trabalho. A criança angustia-se com a angústia dos pais e faz disse seu próprio sofrimento. É na impossibilidade de uma solução que se cristaliza uma zona de fragilidade psíquica (que retorna posteriormente na fase da fala). A criança mais tarde, na idade da fala, quer compreender uma incógnita e penetra na experiência da angústia e do abandono, isto é, da rejeição dos pais. As preocupações dos pais tornam-se um enigma para a criança, que carrega esse fardo ao longo da vida. Esse enigma estará na origem da curiosidade jamais satisfeita, no desejo de saber as preocupações paternas. A partir daí, a criança vai desenvolvendo teorias sucessivas e a criança da infância ocupará lugar no psiquismo do futuro adulto.


Ressonância simbólica, história singular e qualidade do trabalho

Quando existe a ressonância simbólica entre o teatro do trabalho e o teatro do sofrimento psíquico, o sujeito aborda a situação concreta sem ter de deixar sua história, seu passado e sua memória “no armário”. Ele, por meio do trabalho, pode satisfazer sua curiosidade, perseguir seu questionamento interior e traçar sua história. Pela intermediação do trabalho, o sujeito engaja-se nas relações sociais, para onde transfere as questões herdadas de seu passado e de sua história afetiva.


Defesas contra o sofrimento

A psicodinâmica do Trabalho mostra que, contra o sofrimento, a ansiedade e a insatisfação, os indivíduos constroem sistemas defensivos. Essas defesas ocultam o sofrimento, fazendo com que a dor gerada pelo sofrimento permaneça desconhecida. Dessa forma, o sofrimento é vivenciado, mas não é reconhecido; é o saber-vivência, que se opõe ao saber-poder: o sofrimento não pode ser aliviado porque a dor permanece desconhecida não apenas pelos trabalhadores, mas também para seus observadores. A defesa oculta a dor para aliviar o sofrimento, e não há como aliviá-lo sem conhecer seu conteúdo.


Condição de ressonância simbólica

A primeira condição da ressonância simbólica se dá durante a escolha da profissão, dependendo primeiramente do sujeito e não do trabalho, ainda que o contexto sócio-histórico ocupe aqui um lugar importante, pois ele favorece ou entrava a possibilidade, para o sujeito, de adquirir a formação que a profissão de sua escolha requer, em função de suas origens sociais.


Sublimação, reconhecimento e identidade

O sujeito que , submetendo seu trabalho à critica, solicita o julgamento dos pares, pode esperar, em troca, ser reconhecido. O reconhecimento é a retribuição fundamental da sublimação. Isso significa que a sublimação tem um papel importante na conquista da identidade.

Utilizando os termos criação e obra, poderíamos pensar que a ressonância simbólica e o processo de sublimação envolvem apenas alguns privilegiados ou apenas personalidades particularmente dotadas. Muitos sujeitos só conseguem salvar seu equilíbrio e obter satisfações afetivas graças ao trabalho.


Sofrimento e motivação

A Psicopatologia do trabalho coloca o sofrimento no centro da relação psíquica entre o homem e o trabalho, fazendo dele um instrumento de compreensão das condutas e da produção.

Preocupados com a saúde dos trabalhadores ou com a eficácia da empresa, numerosos especialistas gostariam de orientar as ações no sentido de fazer desaparecer o sofrimento. Tal objetivo é vão, se não absurdo. Primeiramente porque, tão logo é afastado, o sofrimento ressurge e se cristaliza sob outras formas oferecidas pela realidade.

O mais interessante é que sofrimento conduz à motivação, onde prazer e sublimação estão relacionados, pois quando o homem busca o trabalho desafiador (sofrimento) e o supera (prazer), adquire reconhecimento e identidade (sublimação) e dá sentido à existência. Portanto podemos dizer que o sofrimento pode motivar o indivíduo a produzir mais.


Conseqüências da organização científica do trabalho sobre a saúde mental

A organização científica do trabalho cria entre os trabalhadores uma separação entre o corpo e o pensamento, a concepção da execução. No entanto, o cognitivo e o afetivo estão mais próximos do corpo e mais separados do pensamento.


Sofrimento criativo luta com o operatório

Com o objetivo de não gerar erros, o trabalhador luta freneticamente contra o pensar espontâneo. Para isso, ele se “adapta” à aceleração do ritmo do trabalho até o momento em que toda sua consciência fique ocupada pelo trabalho, causando a repressão pulsional.

Mas o que ocorre, é que o trabalhador não quer interromper essa repressão (quando volta para casa) para ter que acelerar-se novamente no dia seguinte. Portanto, ele recorre a uma carga de atividade doméstica, para manter o ritmo sem ruptura. As conseqüências desse ato não são nada benéficas ao indivíduo. Podendo causar uma psicopatologia próxima da inércia psíquica. Isso é extremamente prejudicial pois funciona como uma depressão essencial do pensamento operatório, acompanhado de depressão e doenças somáticas.

Como já observamos no tópico anterior, o corpo está cada vez mais separado do pensamento, portanto, o ponto final do sofrimento psíquico ocasionado pelas tarefas “não-sublimatórias” pode manifestar-se pelo surgimento de uma doença física e não de uma doença mental.


Conseqüências do sofrimento patogênico no ambiente

A representação do funcionamento psíquico poderia ter conseqüências não só sobre o próprio trabalhador, mas fora da empresa, sobre pessoas próximas. Com efeito, o sujeito em estado de repressão psíquica mostra-se pouco inclinado a desempenhar um papel ativo na economia das relações afetivas familiares. Pior ainda, ele teme as solicitações afetivas que poderiam desestabilizar a repressão psíquica que lhe custou tanto esclarecer.

Dessa forma, para não “perder” a repressão, ele não desempenha seus papéis afetivos, familiares e sociais, ou seja, se desliga de tudo e de todos, tornando-se até mesmo agressivo.

Com esse tipo de comportamento, ele leva o filho a começar a exercitar a retração e a imobilidade, o sofrimento psíquico infantil. Então aquela psicopatologia foi transferida para o filho, que futuramente será pai e poderá transferir a seu respectivo filho, desencadeando um ciclo vicioso extremamente perigoso.


Incidência do sofrimento patogênico sobre a produtividade

Pesquisas de Psicopatologia do Trabalho, iniciadas a pedido da direção de diversas empresas industriais e de serviços, permitem perceber com precisão as ligações entre subjetividade e produtividade.

Pode-se concluir dessas pesquisas dados surpreendentes: para se defender contra o sofrimento, os funcionários passaram a transformar a subversão do sofrimento em criatividade; as trocas intersubjetivas conduziram à competência. Portanto o risco está integrado à carga de trabalho.


Sofrimento humano nas organizações: Do espaço de palavra ao espaço público

É graças à reconstituição de um espaço de palavra - a discussão coletiva necessária para a pesquisa em Psicopatologia do Trabalho - que pode emergir afinal uma inteligibilidade dos comportamentos. É graças ao espaço de palavra que surgem conhecimentos sobre o trabalho real, que até então estavam parcialmente ocultos pelo sofrimento e as defesas contra o sofrimento: sofrimento correspondente ao risco moral da fraude, defesa contra esse sofrimento através da estratégia do segredo.

Tanto a construção de relações de confiança entre trabalhadores como a recondução de um espaço de palavra dependem da transparência e da exteriorização das maneiras de fazer.

O espaço de palavras não é necessário apenas para as arbitragens, ele é o lugar onde se desenrola o processo do reconhecimento e da filiação (precisamente oposta ao individualismo).

Para resumir esse enfoque do sofrimento criativo, seria possível dizer que a transformação do sofrimento em criatividade passa por um espaço público na fabrica. Em troca, cada vez que o espaço público tender a se fechar, a criatividade estará ameaçada.


Espaço público como um recurso humano

Portanto, ao final do percurso, o olhar da Psicopatologia do trabalho sobre o sofrimento humano nas organizações conduz a conferir um lugar fundamental ao espaço público. A partir do momento em que esse é constituído ou reconstruído, fica-se estupefato diante da emergência de condutas completamente contrárias ao individualismo e à negligência tão repetidamente, mobilização da criatividade investem-se novamente no trabalho.

Dois pontos devem ser assinalados aqui. De uma parte, a sublimação que está na base, na origem da criatividade, não aparece como um processo puramente privado e secreto. Ao contrário, ela parece requerer a visibilidade, e mesmo a expressão pública. Sofrimento humano e responsabilidade das organizações

Acabamos de traçar as relações entre sofrimento e produtividade, e o papel decisivo da administração e da organização do trabalho nos destinos do sofrimento utilização ou desperdício. Falta considerar algumas questões relativas à responsabilidade, isto é, aquilo que a economia do sofrimento em relação ao trabalho implica para as organizações no plano das responsabilidades cívicas.

A luta contra as ameaças ao ambiente não é da competência exclusiva dos ecologistas nem dos políticos responsáveis. Ela é, de fato, uma responsabilidade colocada nos ombros dos trabalhadores. Nesse sentido, a administração tem, por sua vez, uma responsabilidade fundamental para com a sociedade civil: a de assegurar a permanência desse espaço público (de voz e de decisão) onde possam confrontar-se as opiniões dos diversos atores quer sejam operários, gerentes ou especialistas.


Trabalho, sofrimento e sociedade

Vimos anteriormente como a luta psíquica do sofrimento no trabalho envolve não somente os trabalhadores, mas seus próximos, os parentes, a família, as crianças. O espaço interno e o espaço externo à empresa são fundamentalmente indissociáveis de ponto de vista da análise psicopatológica.

As conseqüências de uma má administração de uma organização podem influenciar não só na saúde mental da geração presente, mas também nas gerações que ainda virão.

O poder de ação de que a administração dispõe sobre o destino do sofrimento - sua orientação no sofrimento criativo ou patogênico, colocando a saúde mental nas mãos da organização.


Personalidade e Falsa Consciência nas Organizações – Cap 10

Personalidade

A personalidade corresponde a um conjunto complexo de traços psicológicos com propriedades particulares de organização, individualizando a maneira de ser, de pensar, de sentir e de agir de cada pessoa. Revela-se na interação do indivíduo com o meio ambiente, dele sofrendo influência, resultando no comportamento do indivíduo. Além da alta complexidade da personalidade, a organização dos traços psicológicos que a compõem pode sofrer alterações sob influências internas ou externas, de modo que não se pode rotular um indivíduo ou predizer com certeza seus comportamentos. Assim, não há duas pessoas com personalidades idênticas. Cada pessoa, no entanto, mantém certa consistência psicológica, a qual permite sua identificação e não sofre grandes alterações.

Diferentes traços psicológicos se mostram mais ou menos predominantes em diferentes situações. Da mesma forma, diferentes atitudes e comportamentos (que refletem a personalidade) são vistos como positivos ou negativos se analisados em diferentes situações.

São reflexos da personalidade os hábitos, capacidades, motivos, necessidades e percepções de cada um.


Desenvolvimento e Ajustamento da Personalidade

Embora a personalidade se mantenha relativamente estável ao longo do tempo, ela não deixa de sofrer influência do meio no qual o indivíduo está inserido, em decorrência de sua interação com ele. Os traços psicológicos podem ser desenvolvidos e modificados, assim como sua organização, de modo que o meio pode favorecer ou impedir o ajustamento da personalidade.

As frustrações, as pressões (físicas ou psicológicas) e o stress sob o qual o indivíduo vive são fatores que podem levar à desintegração da personalidade e a um conseqüente desajustamento emocional. A fonte mais comum de frustração é uma barreira ou impedimento à satisfação de um motivo, podendo ser situacional, interpessoal ou intrapessoal. As barreiras situacionais podem ser físicas, sendo a impossibilidade física de, por exemplo, atravessar um caminho a ser percorrido, ou de ambigüidade, caracterizada pela falta de clareza nas instruções dadas a um indivíduo, necessárias para atingir seu objetivo.

As barreiras interpessoais correspondem a um impedimento feito por uma pessoa ou grupo de pessoa em relação a outra (ou outras), limitando-a (excluindo-a, impedindo-a de exercer toda sua liberdade, trabalhar em sua plena capacidade etc.).

As barreiras intrapessoais podem se dar por uma deficiência física ou mental ou ausência de uma habilidade, que impeçam o indivíduo de atingir seu objetivo, ou pela existência de motivos conflitantes no indivíduo (como a pessoa que quer comer doces mas não quer engordar).

Assim, num contexto organizacional, pode haver frustração do indivíduo em caso de as metas e objetivos de cada trabalhador não serem bem definidos pela organização (barreira situacional), o indivíduo ser impedido de fazer uso de sua criatividade ou experiência mais ampla que a requerida (barreira interpessoal), o indivíduo querer ser independente intelectualmente, mas ter que se subordinar às idéias de seu chefe para fazer carreira (barreira intrapessoal), etc.

A continuidade dos meios de frustração leva o indivíduo a um estado de agressão e ansiedade, porém não alteram a situação que causa a frustração. Freud descreve os mecanismos de defesa usados pela mente para diminuir a ansiedade; no entanto, tais mecanismos são ineficientes em situações de stress muito intenso. As energias psicológicas diminuem e o indivíduo é levado ao desajustamento. A permanência e prolongamento do medo e da ansiedade podem levar a um colapso psicológico grave.


Personalidade e Organização

No contexto organizacional, da mesma forma que a personalidade do indivíduo sofre influência da organização em que está inserido, a estrutura desta é influenciada pela personalidade de seus membros. Tal influência é tanto mais forte quanto mais altas forem as posições que os indivíduos ocupem na hierarquia organizacional. Em contrapartida, a influência da estrutura organizacional sobre a personalidade dos indivíduos será maior ou menor de acordo com suas próprias características: indivíduos mais comprometidos com o poder e o status conformam-se mais, de modo que seus valores e motivos básicos os levam ao conformismo e à adaptação de seus sentimentos, pensamentos e ações às demandas do contexto social; indivíduos que centram seus objetivos e valores individuais na independência intelectual, em sua auto-realização profissional e em sua liberdade afetiva sofrem menos impacto das forças da estrutura organizacional na personalidade, tornando-se membros mais críticos da organização, trabalhando mais para mudar sua estrutura do que para acomodar-se a ela.

“Levinson denomina realização do ego a essas forças internas que, segundo ele, refletem a capacidade do indivíduo de resolver demandas conflitivas, utilizar oportunidades existentes e criar novas oportunidades, de encontrar equilíbrio entre estabilidade e mudança, entre conformismo e autonomia, entre o ideal e o possível num ambiente complexo”.


Avaliação da Personalidade

Devido a sua complexidade, a personalidade e suas características são difíceis de ser avaliadas, diferentemente das capacidades individuais. Tal dificuldade se dá pela impossibilidade de se reproduzir e isolar diferentes situações sociais com precisão, a fim de identificar os traços psicológicos que predominariam em cada uma delas.

Como forma de tentar contornar tais dificuldades, a personalidade normalmente passa a ser medida pelo que é comunicado pelo indivíduo, fazendo-se uso de questionários e inventários da personalidade, além de testes projetivos. As entrevistas psicológicas apresentam vantagens para a avaliação da personalidade por serem flexíveis e proporcionarem uma relação direta entre o entrevistador e o entrevistado, podendo ser observadas reações do indivíduo a diferentes assuntos, etc. Sofrem, no entanto, a subjetividade do entrevistador. Já os questionários são de mais fácil aplicação e mais objetivos, porém é impessoal e pode apresentar maiores distorções nos resultados, pois algumas pessoas tendem a concordar ou discordar de qualquer opinião, além de poder camuflar suas respostas.

O uso de testes de avaliação da personalidade tem pouca validade nas organizações, e assim deve ser encarado, evitando discriminações ou criação de estereótipos sobre os funcionários. Deve-se, também, reconhecer que são limitados, não podendo prever fielmente o comportamento que o indivíduo desempenhará nas situações reais da organização.


Renan , Christian e Nelson - 2 J adm


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